5 formas do companheiro apoiar no trabalho de parto

Ainda que, por ocasião do Covid-19, existam restrições à presença de acompanhantes nas Maternidades, lembra-te que há Maternidades que continuam a permitir a presença de acompanhante durante TODO o trabalho de parto. Sim! Podes sempre escolher uma Maternidade que vá mais de encontro àquilo que é importante para vocês enquanto casal. Não tens que ter o bebé no Hospital da tua área de residência, sabes?

Depois, não tens que ir para a Maternidade às primeiras contrações. Podes gerir o início do trabalho de parto em casa. E em casa estás acompanhada por quem tu queres. Uma Doula pode ser uma ajuda incrível nesta fase.

O apoio do companheiro vai muito para além de “segurar a mão” da mulher. O nascimento é, provavelmente, o maior e mais intenso acontecimento na vida de um casal. É importante que seja planeado a dois, ainda durante a gravidez. Durante o trabalho de parto o companheiro será a presença sempre consciente, a pessoa que irá lembrar à equipa de saúde aquilo que é importante para a mulher, para o casal. É a voz da mulher nos momentos em que ela não conseguir falar. Mas que papel tão importante!

Ainda em casa ou já na Maternidade, de que forma o companheiro pode apoiar?

O companheiro pode ajudar de imensas formas, deixo-te aqui algumas:

#1 Cuidando do ambiente

A ocitocina é a hormona estrela do parto.  É a responsável pelas contrações uterinas. Só que a ocitocina é uma HORMONA TÍMIDA! Sim, gosta de privacidade, intimidade, pouca luminosidade… É relativamente frequente uma mulher chegar ao Hospital em trabalho de parto e as contrações simplesmente pararem (verdade!) com tantas luzes, pessoas e perguntas diretas feitas à grávida. E porquê? Tudo isto estimula o neo-córtex (a parte racional do cérebro) estimulando a adrenalina e diminuindo a produção de occitocina.

Na medida do possível, é importante que o companheiro tente manter esse “casulo”, esse ambiente calmo e seguro, propício a uma boa evolução do trabalho de parto.

Na prática, o que o companheiro pode fazer? Na medida do possível, responder às perguntas pela mulher, manter ou pedir para baixar as luzes e pedir para ficarem na sala apenas as pessoas essenciais.

#2 Vocalizando com ela

Vocalizar é uma estratégia poderosa para lidar com a dor das contrações. Relaxa e solta o corpo.

Como fazer? Fazendo sons graves tipo “aaaaaaaaaaaaaa” durante as contrações.

Curiosamente, ao relaxar os maxilares conseguimos relaxar também os músculos da pélvis, o que facilita todo o processo. E uma maneira de relaxar os músculos do maxilar é precisamente abrir a ABRIR A BOCA E VOCALIZAR SONS GRAVES.

Na prática, como o companheiro pode ajudar? Lembrando a mulher de vocalizar durante as contrações e vocalizando com ela.

#3 Aplicando calor no fundo das costas

O fundo das costas, a região lombar, é uma zona que fica frequentemente dorida e tensa durante o trabalho de parto em resposta às contrações. Calor nesta zona dá conforto e um bem-estar incrível à mulher.

Na prática, como pode ajudar? Aplicando calor nessa zona com botija de água quente ou saco de sementes que se aquece no micro-ondas, e reaquecendo frequentemente (ou pedindo para reaquecer).

#4 Dizendo-lhe como gosta dela e como está orgulhoso

A ocitocina é a hormona-estrela do parto. É a responsável pelas contrações uterinas. E a ocitocina é a hormona do amor, do bem-estar! Estar num ambiente íntimo e amoroso ajuda na secreção desta hormona e num bom evoluir do trabalho de parto.

#5 Oferecendo água e alimentos leves

Durante o trabalho de parto é comum a mulher sentir sede e os lábios e boca secos. Beber água ajuda a suprir esta necessidade de líquidos e dá conforto à mulher.

Depois, o trabalho de parto é algo intenso e energeticamente exigente. É importante que a mulher se alimente, se assim o desejar!

Mas, curiosamente, durante o trabalho de parto todo o corpo da mulher está tão centrado na tarefa árdua de fazer um bebé que “não quer” gastar grandes energias em digestões. É por este motivo que a mulher em trabalho de parto tende a não ter grande apetite e prefira alimentos leves e frescos, como frutas e gelatinas.

 

Sofia Rocha – Enfermeira | Conselheira em Aleitamento Materno | Doula

 

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