História de Amamentação Sofia Rocha

Até ao nascimento da minha filha Carolina, em Maio de 2011, nunca tinha pensado muito sobre amamentação. Sabia que queria amamentar, pois via a amamentação como o prolongamento natural da gravidez e conhecia as recomendações da OMS, mas não sabia muito mais. No final da gravidez, por Restrição de Crescimento Intra-Uterino (RCIU) foi-me proposta uma Cesariana, que eu aceitei. Logo que ela nasceu foi-me mostrada mas acabei por ficar no recobro enquanto a bebé foi levada para a Maternidade, num afastamento desnecessário de 6 horas. Estava tudo bem comigo e com ela. Sim, só passado 6 horas é que regressei ao quarto onde pude estar com ela e só aí a comecei a amamentar. Na altura achei tudo normal, é verdade. Agora olho para trás e penso como tudo poderia ter sido diferente, mais saudável para ambas, mesmo tratando-se de uma Cesariana.

Apesar deste início, a amamentação até corria bem. Por volta do primeiro mês, e devido a um Refluxo que nos parecia excessivo, decidimos levar a Carolina a uma Pediatra. Até essa altura era seguida apenas no Centro de Saúde. Informei a Pediatra que tinha intenção de a amamentar em exclusivo até aos 6 meses mas, talvez por ela não acreditar na capacidade das minhas mamas XXS, prescreveu-me um suplemento para aumentar a produção de leite e um Leite Artificial “para o caso de ser necessário”. Confesso que abalou um pouco a minha confiança.

Por volta dos 2 meses, sobretudo ao final do dia, comecei a notar a minha bebé mais agitada a mamar. Com tanta agitação e choro ficava sem perceber se queria mamar ou não. As mamas estavam moles, mal eu sabia que isso era normal. Sabia que a qualidade do meu leite não estava em causa, mas comecei a duvidar se estaria a produzir o suficiente para alimentar a minha bebé. E a ideia de que ela pudesse passar fome passava-me pela cabeça e assustava-me. Acabei por comprar e tomar o suplemento para aumentar a produção de leite que me havia sido receitado.

Mas precisava que alguém visse a Carolina a mamar e que me ajudasse a perceber o que se estava a passar! Mas não sabia a quem pedir ajuda. Não tinha familiares ou amigas que amamentassem ou que eu achasse que me conseguiam ajudar. Eu própria sendo Enfermeira estava cheia de dúvidas, e como tal, não sabia até que ponto os profissionais de saúde que me seguiam também estariam aptos a me avaliar/aconselhar da melhor forma possível.

Queria evitar ter de dar Leite Artificial.

Mas fui insistindo e persistindo. Quando dava de mamar trocava várias vezes de mama, na esperança que a bebé conseguisse mamar mais um bocadinho. E com o passar dos dias as coisas foram melhorando.

Só mais tarde tive conhecimento de grupos de mães de apoio à amamentação nas redes sociais e da existência de Conselheiras em Aleitamento Materno (CAM). Fui sendo ajudada nas minhas dúvidas e receios. Já não me sentia tão sozinha neste processo. Quando me apercebi, já estava eu a ajudar outras mães. Comecei a interessar-me pela amamentação e fiz formação de CAM para conseguir ajudar de forma mais correta e efetiva.

E a Carolina continuava a mamar. A meta dos dois anos estava alcançada, a partir daí era até quando ela quisesse. Confesso que a partir de certa altura já não me importava que ela desmamasse, mas não queria forçar nada, queria que fosse um desmame natural, por iniciativa dela. E assim foi!

Quando tivéssemos outro filho sabia que iria evitar ao máximo outra Cesariana desnecessária (sim, percebi depois que uma RCIU não é indicação absoluta para Cesariana) e que queria tentar ter um parto o mais fisiológico possível. Sem intervenções desnecessárias.

Fiz formação de Doula.

Sabia das fortes implicações que o parto e as intervenções no parto podem ter na forma como o bebé nasce e na amamentação. Quando soube que estava grávida decidimos que queríamos ser acompanhados por uma Doula para nos apoiar em todo o processo.

O Tomás nasceu de uma gravidez calma e serena de 41 semanas e 5 dias. Nasceu quando quis, no tempo dele… Foi um parto vaginal, respeitado e saudável para ambos. Senti-me a mulher mais poderosa do mundo, capaz de tudo! Esteve sempre junto de mim. Fizemos contacto pele com pele durante as primeiras 5 horas de vida, sem interrupção, e mamou sempre que quis. Desde o momento em que nasceu e durante as primeiras semanas tinha muita necessidade de sucção, estava sempre a mamar nas mãozinhas (quando não estava a mamar na mama!). Se eu não estivesse tão bem informada e confiante na minha capacidade de alimentar a minha cria poderia até duvidar se o meu leite o alimentava. E com 9 meses, o Tomás continua a mamar. Tão simples, fácil e prático.

Sem dúvida que a experiência que tive com a Carolina abriu caminho para que com o Tomás tudo fosse diferente. Li muito, procurei informação baseada em evidências científicas e preparei-me.

Hoje sei que o meu corpo está desenhado e programado para parir e alimentar o meu bebé.

 

4 thoughts on “História de Amamentação Sofia Rocha

  1. Vera Teixeira says:

    Obrigada pela partilha. Vou ter o meu segundo filho em abril. Amamentam o primeiro até aos 19 meses e parei porque ele quis.
    Não tive nenhum problema com s amamentação mas tive muitas preocupações com o baixo peso dele. Até tentei suplementação mas ele nunca quis. Aos 4 meses introduzi a papa, depois a sopa mas também não aumentou mais. Mais uma prova que o problema não está no leite.
    Para concluir gostava de ter o seu contacto para usar se necessario.

    Cumprimentos

  2. Vânia Inácio says:

    Boa noite.
    Li o seu testemunho e estou a passar com a minha segunda filha, o mesmo que passou com a sua primeira filha Carolina! Da minha primeira filha tive uma experiência muito traumática no que toca à amamentação, mas não desisti com a amamentação da minha filha até aos 5 meses… Agora desta segunda filha a experiência começou muito bem, mas agora estou como a senhora estava da sua primeira filha.. Mas que fez na altura para resolver o problema? A Minha filha depois de mamar um bocado e até bem.. Começa a “lutar” com a maminha e a abocanhar, e por vezes cerra as gengivas magoado-me de tão irritada que está e ainda tenta só mamar como faz na chucha e na pontinha do mamilo… Que acha que se passa? O que devo fazer para que esta fase passe? Já não sei o que fazer, mas sinto que começo a stressar de novo como aconteceu com a minha primeira filha e trás – me recordações muito negativas que não esperava passar de novo com esta segunda bebé… Obrigada e pela sua ajuda! Beijinhos

    • Sofia Rocha says:

      Bom dia cara Vânia!
      Obrigada pelo seu comentário.
      Parabéns pela bebé e por amamentá-la.
      Lamento que esteja a reviver as preocupações e receios que teve da sua primeira filha. Espero que se resolvam em breve.
      Respondi-lhe para o seu mail.
      Um beijinho.

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